sexta-feira, 14 de março de 2008

O Conventodo teu Corpo

O convento de teu corpo
É a igreja de meus pecados
A religião de teus lábios
Que beijo religiosamente

O convento de teu corpo
Uma vela que se acende
Pedindo o milagre de teus braços
Tecendo preces o rosário

O convento de teu corpo
É lá que me converto
Na liturgia de tuas mãos
Que se confessam no meu corpo

O convento do teu corpo
É a minha própria consagração
Os altares que guardam tua imagem,
E meus olhos na tua anunciação.

O convento do teu corpo
É a minha romaria
O confissionário de todos os dias
A pia benta que lava minha alma

O convento de teu corpo
Provando tua divindade
Faz em cada mão uma chaga
E me abençoa com piedade

O convento de teu corpo
“É a hóstia que bendiz a crença”
É o sangue de nossa aliança
Intocável até pelo homem mais Pio

O convento de teu corpo
É o Espírito Santo que preenche o vazio
É a criação do novo homem que serei
De onde me sinto nascido, me sinto Rei.

O convento de teu corpo
E eu, teu Sumo Pontífice
Transformamos água em vinho
Entre nós não há coroas de espinho

O convento de teu corpo
Onde viverei, mesmo crucificado.
Levarei comigo depois de morto
Como um ladrão sempre ao lado.

O convento de teu corpo
É a cidade sagrada de Jerusalém
O muro das lamentações que choroA minha imediata ressurreição. Amém!

Aqueles Olhos

Vi aqueles olhos que não me enxergavam
Os lábios que não me beijavam,
Os cabelos que não enxugavam,
As lágrimas de meus olhos molhados.

Vi os braços que não me abraçavam,
Nem abrasam o frio da noite,
Mas que abraçam o frio e a noite
Porque eles se abraçam

Vi os pés que não andam ao meu lado
Que caminham sempre acompanhados
Junto com outros passos
Emparelhado com outros sapatos